Na nossa vida estamos constantemente em relação. Seja com os nossos familiares, amigos, seja no contexto da escola, faculdade ou no trabalho. Como bem sabemos guardamos diferenças para as pessoas que convivem conosco, seja nas preferências de cada um ou nos defeitos e limitações. “Cada um tem a sua peculiaridade” e “ninguém é igual” são termos que se tornaram conhecidos tratando-se desse assunto. Há diversas explicações acerca dos fatores que diferenciam uma pessoa da outra, razões sociais, culturais, de etnia, condições de desenvolvimento. Contudo, é possível encontrar em pessoas que provêem do mesmo contexto diferenças consideráveis, é comum notar, por exemplo, em irmãos gêmeos divergências quanto à maneira de se vestir, o gosto pela arte, os hobbys, estilos musicais, o que aponta para uma diferença subjetiva, nos levando à conclusão de que
somos seres únicos e exclusivos. Os meus medos, as minhas angústias, os meus anseios e as minhas lutas são particulares, por mais que haja semelhanças, ninguém os experimenta da maneira que eu experimento.
Frente a este grande ciclo de relações interpessoais nos deparamos, como dito anteriormente, com as diferenças. Entretanto, vivenciamos situações que apontam para elementos unitivos. Aprendemos desde cedo que existem leis naturais a que todos nós estamos submetidos, independente das condições em que nos encontramos, como por exemplo, a lei da gravidade, as leis da química e da física. Nenhum de nós pode de um dia para o outro passar a ignorar a lei da gravidade e pular sem nenhum equipamento de um penhasco achando que algo nos manterá no ar, e se o fizermos o fim será trágico, pois a natureza é implacável. Isso nos diz que estamos submetidos a leis que são impostas pela própria natureza e parte da nossa humanidade o impulso e a necessidade de segui-las.
As semelhanças, porém não se reduzem às leis da química, biologia e física, são facilmente observáveis no nosso comportamento, sinais de que há princípios morais que seguimos independente da educação que recebemos, da cultura em que estamos inseridos, ou da classe social dos envolvidos. São expressões conhecidas de todos nós: “Esse banco é meu, eu sentei nele primeiro”; “dá-me um biscoito seu, eu te dei do meu”; “você me prometeu!”
Sempre que uma pessoa utiliza qualquer uma dessas expressões, ela não fala somente em nome de uma exigência interna, mas faz um apelo a um padrão de comportamento que o outro deveria conhecer e respeitar. O interessante é que a resposta do outro é quase sempre a de tentar provar que não desrespeitou a este padrão, ou que se o fez foi sob uma condição muito particular, ou teve uma razão bem específica para tal, há portanto, uma lei moral natural que torna possível a nossa convivência. Para sustentar esta posição eu me fundamentei em Abraham Maslow o principal proponente da Psicologia Humanista, que buscou combater o reducionismo que outras correntes psicológicas adotaram: Os comportamentalistas que apontavam para o homem como um ser que funciona por estímulo e resposta sem nenhum tipo de consciência, e os psicanalistas que diziam que o homem tem como finalidade a experiência do prazer. Maslow entendeu que era necessário uma humanização do Homem e a baseou em três aspectos fundamentais:
1. Cada um de nós tem uma natureza interna essencial, biologicamente alicerçada, a qual é, em certa medida, “natural”, intrínseca, dada e, num certo sentido limitado, invariável ou, pelo menos, invariante.
2. A natureza interna de cada pessoa é, em parte, singularmente sua e, em parte, universal na espécie.
3. É possível estudar cientificamente essa natureza interna e descobrir sua constituição (não inventar, mas descobrir).
Os dois principais argumentos para se opor à ideia de lei natural são: é impossível que a moral seja intrínseca ao homem, porque as diferentes civilizações guardam diferenças na constituição dos seus princípios morais, o que de certa maneira é verdade, porém há princípios básicos universais que nenhuma sociedade contraria, uma pessoa covarde ou um pedófilo certamente não seriam admirados em nenhum lugar do mundo e em nenhuma época. C.S. Lewis afirma inclusive que se compararmos os ensinamentos morais dos babilônios, dos hindus, dos gregos e dos romanos ficaremos surpresos com o grau de semelhança presente entre eles; A segunda é que algumas pessoas ignoram a lei moral, e a isso encontramos uma resposta simples: a lei moral é a única dentre as leis naturais que o homem tem a liberdade de viver ou não. Não é possível ignorar a hereditariedade, entretanto é uma escolha ser justo, paciente ou comprometido com a felicidade das pessoas que o circundam.
Todo objeto possui um manual de instruções, seja um carro, um eletrodoméstico, um móvel ou mesmo eletrônico, esta é a forma como o fabricante ensina a fazer uso do objeto de maneira a aproveitá-lo ao máximo dentro da proposta para qual ele foi desenvolvido. Analogamente, a lei moral é um princípio infundido em nós, tal qual um manual, por Aquele que foi responsável pela nossa criação, e seguir as orientações deste manual que denominamos lei moral é a única maneira de alcançarmos a nossa realização máxima, que é a correspondência ao anseio de felicidade.
LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. 5. ed. São Paulo: ABU,. 1997.
MASLOW, A. Introdução à Psicologia do ser. Rio de Janeiro, Eldoraldo, 1968.

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