Temos investido nos meios de comunicação em detrimento do contato pessoal. Isso agrava a preocupação que temos de sermos queridos ou não… de sermos agradáveis ou não. Torna-se algo abstrato e causa um conflito cada vez maior no nosso interior. Me referindo especificamente ao Facebook, percebo que cada atualização de status, compartilhamento, ou qualquer tipo de ação é nada mais, nada menos do que variações de uma única solicitação: Notem-me! Olhem pra mim! Se importem comigo! E a partir daquele primeiro like (curtir) nos sentimos satisfeitos. Cada comentário é lido como: Estamos te vendo! Nós te notamos! Gostamos de você! Nós nos importamos! São realmente formas de se receber atenção, e não há nada de mal nisso.
O grande problema é quando isso se torna nossa única fonte “segura” de sermos notados. A ausência do contato pessoal acaba por nos frustrar à medida que passamos cada vez mais tempo na busca da atenção virtual. Nessas últimas semanas me deparei com inúmeras (juro que perdi a conta) reportagens sobre pessoas que cometeram suicídio. Tais situações chamaram ainda mais atenção porque todos os casos relacionavam as mortes às postagens no Facebook… A carência de atenção nos frustra, e pode ocasionar graves consequências. É possível que a busca por ser notado seja tão desesperada assim?
Um dia desses vi um cartaz muito interessante em um ônibus que dizia uma simples frase, sem nenhum outro complemento: “Dê bom dia ao motorista”. Aquilo, de certa forma, me incomodou e me fez refletir sobre a necessidade de um cartaz tão banal colado no ônibus ao invés de publicidades que poderiam fazer com que a empresa lucrasse mais. Naquele momento percebi a necessidade que temos hoje de nos comunicarmos, de nos importarmos, de dar atenção. Naquele dia eu dei um bom dia ao motorista, e percebi que havia sido o único da fila a ter feito aquele simples gesto, porém, percebi também que aquilo resultou num leve sorriso do motorista ao responder alegre: “Bom dia!”. Esse simples gesto me impulsionou a escrever o que vocês estão lendo nesse momento. O irônico da situação é que quanto mais atenção queremos receber, menos atenção nós damos. O “Eu” torna-se superior aos outros.
É incrível como não conseguimos olhar para o outro e perceber que aquela pessoa necessita de um pouco de afeto, por menor que seja a demonstração do mesmo. Hoje em dia, nossos sentimentos se encontram camuflados na pressa, nos compromissos, na agitação. Precisamos pensar nos outros como seres humanos, com suas necessidades naturais, e fazer o mínimo para que elas possam ser saciadas, ou ao menos tocadas. E essa abertura não faz bem apenas ao outro. Ela pode ser o começo do caminho para resolvermos nossas próprias carências.
Termino esse pequeno texto com uma frase de Carlos Drummond de Andrade que resume o ponto que quis explicitar: “Por isso, preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O amor.” Que esse amor, que muitas vezes não enxergamos seja refletido nas pequenas ações, nos pequenos olhares, no simples falar.


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