Esperei por muito tempo pelo fim da trilogia do Batman, dirigida por Christopher Nolan. Não assisti o filme na estréia – e isso me faria roer as unhas se houvesse cultivado esse péssimo hábito. Esperei muito e me decepcionei. Cheguei a mencionar isso outras vezes. Decepcionei-me, não porque o filme seja ruim, na verdade é bem melhor que 99% de tudo que se vê nos filmes de super-heróis. Nolan, no entanto nos acostumou bem com outros filmes… O Cavaleiros das Trevas Ressurge não é ruim; é apenas bom.
De qualquer maneira, esta resenha será um pouco diferente das outras. Não falarei sobre os aspectos técnicos, como direção, roteiro e atuações; trabalharei um pouco das reflexões que o filme causou em mim. Sei que algumas vezes posso soar piegas, mas acredito ser porque algumas ideias, quando faladas, parecem banais, mas vividas são um
caminho de transformação. Não acho que Nolan ou a Warner fizeram um filme para passar lições; Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge é um produto de entretenimento. No entanto, fico bem feliz quando a diversão me faz pensar.
Daqui em diante, advirto o leitor que trabalharei ideias sobre o filme que talvez possam estragar suas surpresas. Embora evite citar acontecimentos de forma direta, tecerei algumas impressões e interpretações que podem fazer com que alguém que não tenha visto o filme faça deduções que não gostaria de fazer. Caso queira evitar isso, recomendo que pare de ler agora, vá ver o filme e depois volte.
Quando penso nesta nova trilogia do Batman, chego à conclusão de que o mal e o combate a ele são os temas centrais de todos os filmes. Isso já é de se esperar em um filme de heróis, certo? Talvez sim, mas não da forma profunda que foi feita. Os filmes do homem morcego não falam sobre mocinho x bandido, mas sobre a presença da maldade no mundo e sobre a possibilidade (ou ausência dela) de vencê-la.
O terceiro filme da franquia se passa oito anos depois da derrota do Coringa, da queda de Harvey Dent e do Batman ter assumido a culpa por crimes que não cometeu a fim de fazer de Dent mito positivo para sua cidade. A estratégia funcionou e a criminalidade caiu absurdamente por causa da aprovação da lei Dent. Aqui, poderíamos fazer uma discussão a respeito dos direitos humanos, mas vamos deixar isso de lado. O próprio filme diz que existe oposição à lei e podemos imaginar que o caso de Gotham era tão extremo que foi necessária uma espécie de lei marcial.
Neste contexto, Bruce Wayne deixou de ser o Batman por julgar que este não era mais necessário. O cruzado encapuzado deixou o capuz e o cavaleiro das trevas deixou de enfrentá-las. No entanto, houve algo maior que isso: não apenas Batman, mas Bruce Wayne deixou de lutar. O filme diz que Wayne torrou metade de sua fortuna para criar uma fonte nova de energia e, depois, percebeu que esta podia ser usada como arma, desistiu do projeto e se trancou em casa – em parte, devido a essa frustração. Se via como inútil… O que podia fazer estava feito.
Aqui entra a discussão sobre o mal específica deste filme. Se o cavaleiro das trevas ensina algo é que o preço da liberdade é a eterna vigilância e que o mal, ao menos nessa terra, não sofre derrota definitiva, mas deve ser perenemente combatido. Para utilizar uma frase do filme: “Batman foi derrotado por sua vitória”. Vitória parcial que julgou definitiva; que se julgava definitiva…
Vale pensar também como os recursos do Batman são usados contra o próprio Batman e contra Gotham… Deixar de lado o bom combate é ver pervertido o próprio bem que se realizou.
Outro ponto que julguei interessante foi a face do mal apresentada. Se no filme anterior, o Coringa era a personificação viva da loucura e afirmava ser a tradução da alma humana, neste o lobo está em pele de cordeiro. O mal não reside numa face demoníaca, mas em um coração perverso.
A palavra final do filme, no entanto, não é de desespero, mas de esperança. Sempre é possível escalar o poço da derrota e recomeçar. O bem feito se perpetua naqueles que inspiramos, a redenção é possível e, às vezes, muitos dos que erram só precisam de uma segunda (ou terceira!) chance.
Bom… Não gostei do final feliz do filme. Acho que contrastou com o que vinha antes de um jeito negativo. Tenho a nítida impressão que o diretor queria a morte do herói para que a lenda vivesse… Acredito que tenha existido grande pressão da Warner. Bruce não abandonaria a luta, mesmo tendo encontrado um sucessor. O fim fez com que parecesse que o Batman não aprendeu a lição que seu próprio filme ensinou.
Bom… Revi os últimos dois filmes antes de ver o terceiro e fiquei bem empolgado. Vou escrever comentários sobre eles também. A trilogia de trás para frente…


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