Como já disse, leio quadrinhos de muitos gêneros. Cabe agora acrescentar: tenho preferência por um nicho: amo quadrinhos de super-heróis. Na verdade os seres superpoderosos que lutam para proteger a humanidade foram os responsáveis por eu gostar de gibis. O conteúdo precedeu a forma…
Leio praticamente todos os personagens da Marvel e da DC. Conheço as histórias do Batman, do Homem Aranha, do Superman e de muitos outros menos conhecidos. Leio notícias sobre quadrinhos diariamente e assino as revistas. Os que já vieram a minha casa puderam ver o quarto onde ficam as revistas (tenho cerca de 3000). Um amigo carinhosamente chamou de templo sagrado…
Como todos sabem, há algum tempo entrou na moda os filmes de super-heróis. Assisto praticamente a todos, com raras exceções. Elektra, por exemplo, fiz questão de não ver… Dentre estes filmes acho alguns bons, alguns médios e outros horríveis. No primeiro grupo está Batman, o Cavaleiro das trevas. No segundo, Thor e Capitão América. No terceiro, o sofrível filme do Lanterna Verde.
Há alguns anos a Marvel começou a lançar seus personagens no cinema com uma pequena diferença: os filmes se relacionavam. Capitão América, Hulk, Homem de Ferro e Thor contaram histórias diferentes, mas todos os filmes se passaram no “mesmo universo”. Tudo isso culminou no blockbuster “O Vingadores”.
Normalmente assisto tais filmes na estreia, mas com “Os Vingadores” ocorreu uma série de imprevistos. Tive um curso de capacitação no trabalho sexta e sábado; Domingo, dei minha primeira palestra sobre quadrinhos em um evento; Segunda, tive que terminar um artigo sobre Chesterton e Alceu Amoroso Lima para enviar para um congresso. Me orgulho do fato de que minha vida não se resuma a uma esfera, e neste fim de semana esta integralidade cobrou seu preço.
De qualquer maneira, terça-feira foi feriado. Dia do trabalhador. Pela primeira vez em muito tempo, tinha um dia totalmente livre. Não havia pendências, provas a corrigir, textos a escrever, palestras a dar, projetos fazer. Sendo assim, pensei comigo “avante, Vingadores”. Depois de muitos amigos entrarem em contato dizendo que ao ver o filme lembraram de mim, de as críticas elogiarem demais, eu finalmente teria meu momento. Decidi que seria o melhor possível. Eu e minha esposa veríamos o filme no melhor formato, IMAX 3D.
Acordei cedo, viajei cerca de 100 quilômetros, fiquei esperando em uma fila enorme só para descobrir que em nenhuma das sessões do dia havia vagas, e olha que estava disposto a assistir a sessão das 22h e me hospedar em um hotel porque não havia ônibus no horário… Aceitei ver o filme apenas em 3D, mas não havia vagas também… Fui a outro cinema, a mesma coisa. Além do sucesso do filme, o feriado no Rio de Janeiro estava chuvoso, logo, os cinemas ficaram para lá de lotados.
Neste ponto começa o que realmente interessa no texto. Reagi muito mal à expectativa frustrada. Fiquei quieto, não queria fazer outras coisas e, embora tenha assistido outro filme, fiquei boa parte do dia emburrado. Coitada da minha esposa! Sei que não descontei nela meu mal humor, mas os esforços dela para me animar foram em vão. Teve uma hora que ela chegou a dizer: “Alessandro, você não é assim. Tem sempre um plano B!”. Desta vez eu não tinha ou não queria ter. Preferi infantilmente perder um dia porque meus planos foram por água abaixo.
Indo direto ao ponto, a experiência de ontem me fez pensar em duas coisas. A primeira é que minha frustração veio do fato de meu esforço não ter tido sentido. Viajei e encarei filas por nada. Pensei em quantas pessoas vivem assim, frustradas constantemente porque seus esforços se traduzem em nada . Quantas mães dão a vida pelos filhos apenas para verem estes perderem a vida para as drogas; Quantos estudantes gastam horas de seus dias apenas para receberem a notícia de que não passaram no vestibular, ou em um concurso…
Nossos esforços nem sempre renderão resultados e a frustração decorrente disso pode ser uma das piores dores. Não fui capaz…Não adianta tentar de novo porque não consigo mesmo… Estas frases são ditas todos os dias e entendo de verdade quem a diz (não por causa do filme, é claro). Cada vez mais temos dificuldade em lidar com as frustrações, parece que somos diminuídos pelo fracasso e que somos menos porque não alcançamos o sucesso. Não quero entrar em nenhum discurso de autoajuda, mas deixar-se parar pela queda significa, para a grande maioria, nunca experimentar a vitória.
A segunda coisa que pensei foi que por não ter o objeto de meu desejo realizado, deixei de lado todas as coisas legais que poderia ter feito. O Shopping onde eu estava tinha uma boa pista de boliche, uma livraria enorme, vários filmes passando. Isso fora toda a programação cultural que uma cidade como o Rio de Janeiro oferece… Não aproveitei nada, só assisti um outro filme porque o ingresso já estava comprado.
De novo, acho que minha última terça-feira foi uma parábola para a vida de muitos. Parece que a fórmula “se não posso fazer minha vontade, não quero nada” está cada vez mais na moda. Pessoas se fecham às maravilhas a sua volta simplesmente porque não tiveram caprichos satisfeitos. Acredito que viver desta maneira é um caminho certo para a frustração. Apliquei a receita por um dia e não quero fazer de novo. Lembrando das palavras da Carol, afirmo que abrir-se a um plano B é muito melhor.
O mundo não gira em torno de nossos umbigos. Embora esta situação irrite, é ela que torna a vida tão maravilhosa. Nossas vontades não serão realizadas sempre e muitas vezes isso será bom para nós. Outras nem tanto. Apesar disso, a vida não é ruim. Muito pelo contrário! É boa, mesmo quando nossos planos fracassam. O maior mal da frustração é que, se deixarmos, ela nos cega às possibilidades do mundo ao redor. Não é à toa que crianças mimadas normalmente não são felizes…
Ah, esqueci de dizer. Já garanti meu ingresso para assistir o filme dos “maiores heróis da Terra” hoje. No cinema ao lado da minha casa. Em 2d. Mas não pensem que desisti do IMAX. Quarta-feira que vem estarei lá…”Avante, Vingadores” para todos.

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