A ciência existe para buscar a verdade por meio da experimentação. Tudo que se refere a ciência tem que poder ser demonstrável, empírico, reproduzível. Mas a partir do momento em que consideramos que só porque uma pessoa dita cientista emitiu uma opinião a respeito de um assunto e passamos a pensar que não há mais o que contestar, neste ponto acreditar na ciência passa então a não diferir muito da crença fundamentalista em alguma religião.
Para ajudar nessa reflexão reproduzo um conceito publicado na Revista Super Interessante que em minha opinião serve para o propósito de explicar o que é o fundamentalismo:
“É o termo usado para se referir à crença na interpretação literal dos livros sagrados. Fundamentalistas são encontrados entre religiosos diversos e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca.” Adriana Küchler – Revista Super Interessante Julho de 2005
Mas por que eu comparo o fundamentalismo religioso com um possível fundamentalismo científico?
Meus caros, uma das verdades sobre as ciências é que elas não são estáticas, mesmo as leis científicas amplamente difundidas e ditas imutáveis podem mudar, basta uma alteração, uma nova descoberta e pronto! O que era passa a não ser, e o que até então era considerado ficção passa a figurar como realidade. A Terra era plana, e isso era uma verdade, até que provaram que era redonda. A Terra era o centro do universo e o sol orbitava em torno dela, até se provar que é ela que orbita o sol e não é o centro de nada. A mecânica clássica definia tudo na física até surgir a mecânica quântica e provar que as leis da física clássica não se aplicam a objetos quânticos. E assim acontece com tudo na ciência, as coisas são leis, regra só até que sejam questionadas e postas a prova por novas teorias e leis.
Quando nós confiamos plenamente na palavra de cientistas e acreditamos que a opinião deles é a absoluta verdade sobre as coisas, estamos fazendo tudo, menos sendo científicos. É próprio da ciência questionar, duvidar, por a prova. Excluir qualquer elemento de investigação a cerca da verdade das coisas é não ser cientista, é ser fundamentalista, é aceitar que a ciência descreve tudo e que, portanto, deve ser seguida a risca e justamente como os fundamentalistas religiosos, essas pessoas se tornam fundamentalistas científicos. Sinceramente isso é um paradoxo, pois se esquece do caráter questionador que é próprio da ciência.
Defende-se com afinco uma posição que lá na frente vai ser considerada errada, criticam-se práticas éticas e morais em nome de uma suposta verdade científica que amanhã pode se mostrar mais um equívoco, e o que não falta a história da ciência são equívocos. O que é hoje, amanhã não será, e você meu amigo, que hoje defende com unhas e dentes uma posição dita cientifica pode se deparar amanhã com uma nova teoria, ou lei, que vai desconstruir tudo o que você acreditava e defendia com afinco.
O que liga todos os fundamentalistas, a meu ver, é o fato de ignorarem certos preceitos éticos e morais que deveriam ser inerentes a todo o ser humano. Nos fundamentalistas religiosos essa iluminação a cerca da verdade vem de uma divindade já nos fundamentalistas científicos vem da ciência. Em ambos a humanidade, o bem comum, é posta de lado para se impor o caminho da iluminação que seu deus ou sua ciência lhes revelaram.
Termino dizendo que não sou contra a ciência, muito pelo contrário, eu sou um grande entusiasta dela. Sou biólogo, ecólogo, pesquisador, curioso, gosto de biologia e ecologia, mas também leio sobre astrobiologia, astronomia, astrofísica, física quântica, entre outras coisas. Penso que se as pessoas que são, diretamente, formuladores de teorias e leis e ao mesmo tempo “desconstrutores” de outras tantas teorias e leis não estão certos sobre a verdade absoluta a respeito do saber científico, como é que nós que só lemos ou somos entusiastas das descobertas deles, vamos pensar diferente e fazer da ciência uma religião com normas e regras para serem seguidas a risca?

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